Em 2002 meus pais e minha irmã se mudaram de Sampa para Goiás. Ficamos somente Will e eu. E já que lá é bem quente, meu pai deixou seu roupão comigo, um roupão grande e quente.
Imagine a cena: primeiro dia sem eles em casa, um domingo. Vou tomar banho e pego o roupão. Desato a chorar.
Tá. Nem sei se foi assim, mas estou dramatizando um pouquinho pra história ficar convincente.
O que eu sei é que os dois primeiros anos sem eles foram bem ruins. Dia das Mães, Dia dos Pais, aniversários... coisa bem triste. Mas com o tempo nos acostumamos com a ausência. Não que não sintamos falta uns dos outros, mas precisamos continuar mesmo assim. E pra vida ser menos triste, acabamos nos acostumando a isso. E disso é feita a vida: encontros e desencontros.
Na última vez que eles estiveram por aqui - meu pai e minha mãe, já que a Nay também se mandou pra cá - ganhamos a "herança" da minha mãe. Do meu pai tínhamos o roupão. E da minha mãe ganhamos um par de havaianas pra usarmos durante o banho. Insistimos que não precisávamos daquilo, mas ela argumentou: toda vez que vocês usarem esse chinelo, pensem que estão pisando em mim.
Então é isso que fazemos. Pisamos na minha mãe e abraçamos meu pai.
Satisfeita, dona Édina?
domingo, 15 de junho de 2008
Roupão e chinelos Havaianas
Postado por Kell às 03:19
De onde isso saiu: Amor de Família
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