"Você está para fazer oitenta e dois anos. Encolheu seis centímetros, não pesa mais do que quarenta e cinco quilos e continua bela, graciosa e desejável. Já faz cinquenta e oito anos que vivemos juntos, e eu amo você mais do que nunca. De novo, carrego no fundo do meu peito um vazio devorador que somente o calor do seu corpo contra o meu é capaz de preencher." É assim que começa o último livro escrito por André Gorz; a mais linda declaração de amor que já li em toda minha (não tão longa) vida.
André Gorz, filósofo e jornalista, escreveu dezenas de livros dedicados a temas relacionados à teoria social e política contemporânea. No fim da vida, descobriu que precisava, com muita urgência, falar de seu amor pela mulher com quem compartilhou quase 60 anos de sua vida, Dorine.
Após descobrir que Dorine possui uma doença degenerativa e incurável, André escreve este livro, tão cheio de sentimento, tão cheio da tristeza de perder o amor de sua vida.
Em 22 de setembro de 2007, André e Dorine cometem suicídio, o que Josué Pereira da Silva descreve como "um puro ato de amor".
"Partiram juntos porque não seria possível para ele viver um segundo sequer sem a presença dela". (Ecléa Bossi)
Em apenas 71 páginas, Gorz descreve toda uma vida de amor e companheirismo e, neste livro, reconhece a importância que Dorine sempre teve em sua vida e escancara isso pra ela e para leitores, privilegiados com um relato maravilhoso desses.


"Lembro de ter escrito a E. que, no final das contas, só uma coisa me era realmente essencial: estar com você. Eu não posso me imaginar escrevendo se você não existir. Você é o essencial sem o qual todo o resto, importante apenas porque você existe, perderá o sentido e a importância." p.69
Indicadíssimo!

