Sexta-feira, no meio da manhã, recebi a ligação que transformou meu fim de semana por completo.
Até então o plano para sábado era almoçar na casa da tia Evonilde e provavelmente esticar por lá até a noite, pra jogar uma sinuca/bisteca/ping-pong, ou só comer de novo e jogar conversa fora. Domingo provavelmente eu estaria lá no Chu, vendo um filminho ou dormindo já que na casa dele me bate um sono do além. Segunda voltar ao trabalho e vida que segue.
Mas minha mãe me liga e, sem rodeios, solta a frase "Kellen, o vô Bruck morreu". Quê? Como assim morreu? É... morreu. Dormiu e simplesmente não acordou. A mulher dele só percebeu quando a pessoa que verificava sua glicemia todo santo dia apareceu de manhã e ele ainda dormia. Foi acordá-lo e nada. Simples assim. Sem sofrimento, sem aviso prévio, sem dar tempo para despedidas.
É claro que, aos 82 anos, todo mundo já entende que aquela pode ser a última vez a ver a pessoa viva. Só que mesmo assim, quando a morte já é uma visita esperada, fica difícil acreditar que ela vem mesmo. Mas ela veio.
Muito nervosa, minha primeira reação foi dizer que eu não ia. Mas meu pai precisava de mim e dos meus irmão naquele momento.
Felizmente conseguimos vôo até Porto Alegre pra tarde de sexta mesmo. O vôo atrasou muito, mas chegamos em Poa no início da noite, onde mais umas 11 pessoas da família nos aguardavam.
De lá seguimos pra São Vicente do Sul onde meu vô mora(va) e onde acontecia o velório. Chegamos por volta das 3h da madrugada, depois de uma viagem muito cansativa, com muita chuva e frio. Fomos direto para o velório e a pior coisa é ver a pessoa lá, sem vida. Uma pessoa que te recebia com um abraço (e uma melancia, ainda conto essa história), falando alto e esbanjando felicidade por ter os filhos e netos perto de si. E todos os outros abraços geravam choro só por não poder mais receber o abraço daquele que era o motivo principal de estarmos lá.
Aguardamos a chegada de uns parentes de Curitiba e no meio da manhã foi feito um culto muito bonito, onde cantamos e agradecemos a Deus pelos 82 anos de vida do vô. Tio Rubim disse coisas muito bonitas e, apesar da tristeza, o pensamento que ficou foi o dito pelo tio Paulo: "Não chore pelas coisas boas que acabaram. Sorria por elas terem acontecido.".
Depois disso fomos enterrar o vô no alto de uma colina, onde haviam sido enterrados alguns de seus irmãos e com vista pro sítio onde ele morou a maior parte da vida.
A volta foi uma corretia só e hoje não consegui sair da cama pra trabalhar. Dormi quase o dia todo e parece que nem mais 50 horas de sono resolverão o problema.
Mas isso passa. E a tristeza também há de passar.
Ele se foi, nós ainda estamos aqui. Triste pela perda. Feliz por sua existência.
Meu vô, José Bruck, seus olhos verdes e sua alegria.

1 querendo aparecer:
Também fui pega completamente de surpresa. Descobri pelo orkut, sexta de tardezinha. Tudo relatado no meyu blog. Depois dá uma olhada.
Foi paia, viu...
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