quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Carta ao afinador de pianos

Essa carta é real. Essa carta acaba de ser escrita por mim, destinada ao afinador de pianos, meu amigo de fé, meu irmão camarada. Mas depois dessa carta, não sei o que será de nós. Não sei o que será de mim...

Nata, querido!



Me desculpa!
Você vai querer que eu nunca tivesse voltado a estudar piano quando terminar de ler essa carta.
Hoje resolvi estudar piano das 12h às 13h e almoçar das 13h às 13h30.
Às 12h peguei os livros e fui para o Auditório estudar porque o piano de lá é beeeeeeeemmmmmmmm melhor do que os demais.
Aliás, me dê os parabéns porque terminei o The Older Begineer Piano Course (Curso de Piano para Iniciantes mais Velhos) Level 1, do Bastien, e já estou no Level 2.
Continuando...
Estudei as músicas do Bastien, a valsa da Amélie Poulain, o tema de Forrest Gump (que acho que só vou conseguir terminar em 2015) e, às 13h, fui arrumar as coisas para ir almoçar.
Eis que fui pegar meu celular, que fica em cima do piano, e... ele escorregou! Escorregou pela tampa do teclado do piano e... FOI PARAR DENTRO DO PIANO, ATRÁS DAS TECLAS DO PIANO!
Na hora pensei: Deve ser fácil tirar essa porcaria daí!
Ahan! Suuuuuuuper fácil! Não existe um buraco sequer que caiba uma mão naquele lugar! E eu, tentando enfiar a mão por cima da tampa, mas daí a tampa tem que estar meio aberta pra que caiba alguma coisa, e com a tampa aberta a mão fica num ângulo que não permitia que minha mão chegasse ao celular.
Subi até minha sala e peguei 2 réguas para tentar pescar o celular. Só que o lance do ângulo com a tampa semi-aberta, blábláblá, não dava. Aí tentei colocando a régua por baixo da tampa, pra tentar levantar o celular, mas sem sucesso.
20 minutos depois, muito frio aqui em Sampa e eu suando, resolvi chamar reforços. Subi e anunciei, pra quem quisesse ouvir, o meu feito. Chamei uma menina na esperança de que, sua mão sendo mais fina, alcançaria o celular. O professor de clarinete e mais um menino também foram solidários e nós 4 descemos para resgatar o celular.
A menina tentou enfiar a mão, e a mão não entrava e eu já estava quase pegando uma criança pra fazer o serviço. Mas tive medo de piorar a coisa.
Durante todo esse tempo eu só conseguia pensar: carreguei meu celular hoje cedo. A bateria deve durar até domingo. COM CERTEZA esse celular vai tocar bem no meio do ensaio do coral do maestro T - que mesmo em fim de semana de feriado vai fazer ensaio! - e ele vai descobrir meu endereço pra me matar.
Com o medo de morrer nas mãos de T, me senti encorajada a tentar mais um pouco. Consegui finalmente encostar no celular (que fica dentro de uma meinha) e, com muita habilidade no manejo da régua, fiz o celular se mover um pouquinho e, com os dedos, consegui pinçar a meia.
E como eu acredito que, se alguma coisa tá ruim, pode piorar, só conseguia imagina o celular deslizando pra fora da meia e aí sim que eu nunca mais veria meu celular.
Para alegria geral da platéia, consegui resgatar o celular.
Mas Nata, seja forte. Sente-se pra ler o próximo parágrafo e tente gostar de mim depois dele.
O celular foi resgatado, mas uma régua ficou perdida por lá.
Me desculpe.
Vou entender se você nunca mais quiser falar comigo.
Obrigada por ter sido meu amigo até hoje.

Atenciosamente,

Pianista sem futuro


1 querendo aparecer:

Schroeder (o pianistinha do snoopy) disse...

Na próxima vez vá treinar em um piano como o meu...

Ou melhor, na próxima vez não leve o celular...

Melhor ainda, na próximas vez... não haverá próxima vez...

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