Deus já sabia o quanto eu ficaria triste no dia em que o Jeremias, o gato, desaparecesse. E esse dia chegou, há uma semana e 3 dias, num domingo.
Ele sempre costumava dar umas voltinhas por aí, como todo gato macho. Mas chegou a segunda, a terça, e nada de Jeremias voltar. Às vezes ele realmente se prolongava nesses passeios, mas depois que uma semana se completou, percebi que ele não voltaria. Desde então tenho ficado mais triste a cada dia.
Já sonhei várias vezes com ele, mas sempre acordo mais triste porque ele não está em casa.
O Jeremias era o gato perfeito. Aprendeu a ser mais comportado que os gatos normais, não fazia sujeiras em casa, matava baratas e conversava conosco. Fazíamos perguntas a eles, que exigissem resposta sim ou não, mas ele sempre respondia não. Era engraçado... pelo menos pra mim e minha irmã.
Ele tinha um miado coisa mais bonitinha. E às vezes ele tinha uns ataques de loucura e nos mordia. Não sei exatamente a razão das mordidas, mas eram ataques engraçadíssimos.
Mas o Jere sumiu. E ainda estou torcendo pra que ele só esteja por aí namorando. Ou tenha encontrado uma dona melhor do que eu. Difícil.
Hoje, voltando do trabalho, cansada, acabada, com dor de cabeça, eis que, pertinho de casa, ouço um miadinho. Não, não era o Jere. Olhei pro lado e vi uma caixa de papelão, e lá dentro, uma gatinha bebê, preta com as patinhas e o focinho brancos, COI-SA MAIS LIN-DA! Não pensei duas vezes. Eu não conseguiria dormir sabendo que a coitadinha estava lá fora, numa caixa de papelão e a chuva quase chegando.
Peguei-a - ela estava super assustada - enrolei-a numa blusa por causa dos cachorros aqui de casa, e tive que dar um banho na pobrezinha. Apesar de muito pequena, ela estava bem sujinha e um paninho úmido não seria o suficiente pra eu acreditar que aquele ser estava limpo. Enchi uma bacia com água quentinha, mergulhei a gatinha nela (a cabeça não proque eu não sou tão idiota assim), passei shampoo, esfreguei ela toda, enxaguei com mais água quentinha e só não passei condicionador porque eu não sou a Nay. Sequei com um pano e depois com o secador de cabelo. Ela não gostou muito, mas teria morrido de frio se eu não fizesse essa boa ação.
Mostrei a caixa de areia pra ela na esperança de que ela saiba que lá é o banheiro e não outros lugares da casa. Mostrei também a vasilha de ração, mas ela não se interessou muito. O que ela realmente queria era fugir de mim e conhecer todos os cantos da casa.
Dei um tempo pra ela se acostumar com o ambiente, tentei estabelecer contato usando minha mão para divertí-la, e ela gostou. Tudo bem que, até então, ela não havia associado o fato de que aquela mão que brincava com ela, me pertencia. Ela adorou a mão, mas não gostava de mim.
Como eu não estava com paciência pra ser babá de gata, vim pro computador e trouxe a coisinha junto. Coloquei-a em cima da mesa pra garantir que não a perderia de vista e ela começou a desbravar o local. Foi pra dentro da CPU, que está aberta, sentou-se sobre um cd, mordeu alguns cabos, brincou com meu Neosoro, digitou algumas coisinhas pro Edu no msn - nada inteligível - e depois se deitou ao lado do som e dormiu. Tirei algumas fotinhos da dorminhoca, que se chamará Kiki, mas depois de um bom tempo ela acordou. Ficou invocada que eu não parava de digitar, quis brincar com minha mão "digitante", mas resolveu se ajeitar no meu colo e continuar a soneca.
Aí a Nay chegou, tirou a Kiki de mim e agora ela dorme no sofá, junto de sua verdadeira mãe.
Mas o que eu queria dizer é que, apesar da saudade do Jere, que é enorrrrrrrme já que ele é o gato do meu coração, Deus sabia que no meu caminho existiria uma outra gatinha que precisava de casa, comida e pêlo lavado e que faria com que eu ficasse menos triste. Bom demais.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Pra terminar o dia
Postado por Kell às 02:19
De onde isso saiu: Bichinhos e matinhos
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