segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Não quero ser a Beyoncé

Há cerca de duas semanas atrás estava eu num momento "não sei o que fazer" e fui assistir televisão. Com a quantidade descomunal de ótimos programas dessa nossa tão abençoada TV aberta (vou ter que assinar Net novamente...), meus dedos, descontrolados no controle remoto, me levaram à MTV. Ainda acho que o distinto canal foi melhor naquela época em que deixavam uma telinha colorida por horas e a frase: Desligue a TV e vá ler um livro. Preferia até mesmo ter me deparado com esta frase, mas o que vi foi algo quase inenarrável.
Eis que surge na tela a cena tosca da Beyoncé, em trajes primitivos, fazendo uma dança tribal numa praia qualquer, no melhor estilo pomba-gira. Depois ela aparecia no meio de um campo de não sei o quê, com danças igualmente toscas. Depois, ainda, aparece se esfregando numa parede sob os olhares de um homem, e que pelo jeito não é tão homem assim, pois se encontrava totalmente apático mesmo tendo à sua frente a Beyoncé, mais rebolante do que nunca.
A letra da música? Procure você mesmo por "Déjà vu". Ainda não consegui identificar a relação da letra da música com o clipe. Se alguém tiver alguma sugestão...
Ok. A sequência de clipes idiotas não pára por aí.
Terminada a sessão de tortura proporcionada por tão bela música, eis que começa um outro clipe. "My Humps", Black Eyed Peas. O que é aquilo? Letra do pior nível possível, quilos de bundas saradas e peitos siliconados, um bando de homens desejados por causa de seu dinheiro ganho provavelmente no tráfico de drogas (SÓ PODE!!!), carros, jóias e um clipe que deve ter sido idealizado e produzido por um dos consumidores de drogas desses caras. Só pode! Não é possível haver tanta falta de bom senso num clipe só.
Ok. Muda de canal. Desliga a TV e vá ler um livro.
Ontem, depois de terminada a monografia da minha prima (vide postagem anterior a esta), fomos ao youtube procurar estes clipes e outros mais, inclusive um da Beyoncé com a Shakira, "Beautiful Liar", pra darmos umas risadas e fazermos nossos comentários. Mulheres lindas, milionárias, cabelos esvoaçantes, corpos desejados (As mulheres querem um igualzinho. Os homens querem usufruir deles.), bocas e olhares provocantes, mas cantando "I trusted him/ but when I followed you/ I saw you together/ I didn't know about you then till I saw you with him...". Onde poderíamos imaginar que mulheres desse tipo sairiam por aí chorando o fato de terem sido traídas. Além de ser a traída da história, em uma das frases mais "marcantes" da música ela diz não saber como perdoá-lo se é ela quem se sente envergonhada. Envergonhada por que? Devia era ter vergonha de cantar uma coisa dessas...
Só me resta pensar: se essa mulher, em toda sua beleza/riqueza/exuberância/gostosura está nessa situação, o que resta a nós, pobres mortais? Trabalhar, é lógico! Já que aquele ditado "Quem canta seus males espanta" perdeu moral, pelo menos comigo, vou lançar o "Quem trabalha não assiste MTV e, consequentemente, afasta os males dos outros".
Mas já que nem tudo está perdido nesse mundo da música, vale a pena conferir os clipes "My Humps", mas na interpretação de Alanis Morissette, e "Stupid Girl" da Pink. Uma crítica a tudo aquilo que poderia ser banido na indústria fonográfica mundial e extraterrestre, já que ninguém merece.
E você, garotinha de 12 anos de idade que já sabe rebolar até o chão, aproveite que as aulas logo logo vão começar e vá revisar todas as matérias que você deixou de estudar pra assistir MTV.
Tenho dito.

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